Domus

"Deus quer, o homem sonha, a obra nasce." (Fernando Pessoa)

Do sonho, visão e trabalho de muitos nasceu um projecto único e arrojado, a Domus!

Este é um projecto que tem tanto de inovador como de abrangente que contempla diversas valências: alojamento de voluntários, alojamento temporário de famílias, local para eventos e formação, escritório da Habitat for Humanity Portugal e armazém de bens doados.

Nos últimos anos a Habitat For Humanity Portugal tem recebido cada vez mais pedidos de ajuda por parte de famílias que vivem em condições indignas. Esta situação fez com que a Habitat for Humanity Portugal considerasse crescer e, para isso, tenha decidido criar um negócio social que lhe permita angariar fundos para ajudar ainda mais famílias.

Com a ajuda de todos na aquisição e remodelação do espaço, iremos dar seguimento a este projecto, a Domus!


 

Lenda da Domus

Esta não é uma história do “Era uma vez…”

Esta é uma história do ser, assim infinitivo, assim infinito, assim do ser pleno, aqui e agora, sem lugar a passado, mas a presente, a estar presente, a ser presente…

Esta é a história de uma causa, uma causa nobre que sonha albergar em si, no seu pulsar puro, todos aqueles que carecem de um lar.

Uma causa sem casa, uma causa arrendada, com janela para amanhã e de porta aberta, escancarada, ao hoje e ao agora, ao aqui…

Esta causa nasceu de um desejo divino, de um Deus maior, um Deus de amor, que alicerçou na Terra, entre os imperfeitos humanos um bem querer, um bem desejar, um bem fazer.

Esse Deus espalhou pela terra pequenas divindades, disfarçadas de homens e mulheres, que, com as suas humanas limitações, procuram incessantemente acolher os desabrigados e desfavorecidos que não têm, nem podem ter, um local decente para morar.

Estes pequenos deuses reuniram-se, durante décadas, em Olimpos improvisados, recebendo, nos seus corações e nas suas mãos, as dores daqueles que precisavam das suas obras, imbuídas de caridade e betão, de abrigo e coração.

Estes Lares, semelhantes aos dos idos Romanos, assumiam várias formas, tinham várias origens e falavam várias línguas, chegando de várias partes do vasto mundo que compõe a Terra.

Jovens e idosos, brancos, negros e amarelos, homens e mulheres, juntos, dedicavam o seu trabalho, o seu esforço e toda a sua vontade e amor ao próximo, vagueando pelos quatro cantos da Terra, munidos de força e compaixão, de luvas gastas e de mãos ávidas de construção. Laboravam com alegria ao lado das famílias e, pedra sobre pedra, erigiam sólidas paredes e acolhedores telhados, abrigando-as da intempérie da vida, que não raras vezes assola em tempestades devastadoras as almas mais frágeis.

Na Augusta Bracara, foram surgindo cada vez mais Lares que, como os romanos, seduzidos pela simpatia, cordialidade e brilho solar das suas gentes foram-se afeiçoando às causas, às casas, abrindo as suas asas para os acolher em renovados lares.

Além dos Lares, para os quais havia oferendas, materiais essenciais à continuidade da sua obra, várias divindades eram cultivadas neste ambiente acolhedor. Faziam parte do dia-a-dia da família, como se fossem membros dela.

E eis que, entre eles, surge uma divindade maior, que herdou, do Genius romano, o espírito criador. Era uma espécie de anjo protetor da família, que assegurava a sua continuidade e proteção. Este Genius abraçou esta causa, acolhendo-a, amparando-a e dando-lhe um céu onde crescer.

Assim como os Lares, o Genius, força vital de todo ser, lugar ou coisa, estava presente como princípio gerador da vida, significando a perpetuação da própria família. Enquanto força criadora, Genius era tido como a manifestação das faculdades relacionadas com a juventude e com a inteligência, identificando a direção dos seus atos, a sua proteção e a explicação do seu destino. 

Genius liderava um grupo de guardiões da casa e dos seus alimentos, os Penates. Os Penates eram deuses responsáveis pelo bem-estar e pela prosperidade das famílias. O nome Penates, nascido de penus, da dispensa, sem a qual a família não vive, representa o zelo destes deuses pelos bens, pela dispensa, pela casa, na sua totalidade.

Ora, Lares, Penates e Genius precisavam de reunir forças, de se reunir num Olimpo só seu, onde pudessem unir os seus esforços, num lar, num útero, onde se gerassem novos lares, novas vidas.

Nasceu, assim, da visão criadora e procriadora de Genius e da crença dos Penates, a Domus! Inspirada na residência urbana das famílias nobres da Roma Antiga, acolhe igualmente a nobreza desta causa, mas também na domus da plebe, onde habitavam comerciantes e artesãos romanos, reúne também as vontades de quem dá e recebe da força da Habitat.

 A Domus é o coração da Habitat, onde Genius e Penates poderão acolher todos os Lares, vindos dos quatro cantos do Mundo, e guiar as suas mãos e corações para aqueles que deles necessitam, dando guarida aos corpos cansados e à alma plena.  A Domus é o abrigo, o porto, o farol dos que vierem a necessitar da causa, da casa, de um lar! Na Domus, recolher-se-ão todas as ofertas e doações, armazenando o bem-querer dos que partilham esta crença de que é realmente possível “um Mundo onde todos tenham um lugar decente para morar”, um Mundo onde todos tenham lugar!

Por isso, esta não pode ser a história do “Era uma vez”…

Esta tem de ser a história do sonho tornado realidade, em que os deuses se materializam e dão as suas mãos à obra, à construção de um Mundo realmente melhor!

Esta é, por isso, a história do “Hoje é, hoje existe, hoje faz-se”…

Hoje, nasce a Domus!

Equipa da Habitat for Humanity Portugal
08 de abril de 2017

Eventos

Está marcado para o dia 1 de Abril de 2017 um dia de voluntariado do Rotary Clube Braga-Norte no projecto da Domus.

 

Será um dia não só para avançar com as obras da Domus, mas também para estreitar laços entre as duas organizações.

 

Este é mais um passo rumo à concretização deste projecto tão importante para a Habitat Portugal.

 

Um agradecimento ao Rotary Clube Braga-Norte pela organização desta iniciativa.